Relatório aponta queda de 12% nos atendimentos de saúde no interior
Dados do sistema estadual de saúde indicam redução consistente nos atendimentos nas unidades básicas do interior catarinense, com diferenças marcadas entre municípios de grande e pequeno porte.
O sistema estadual de informações em saúde registrou queda de 12% no número de atendimentos nas unidades básicas de saúde do interior catarinense entre janeiro e julho de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O dado consta em relatório semestral divulgado pela secretaria estadual de saúde na semana passada e abrange 148 municípios com população abaixo de 50 mil habitantes.
Como os dados foram apurados
O relatório compilou registros de produção ambulatorial inseridos pelas próprias unidades básicas no sistema nacional de informações ambulatoriais. A comparação utilizou os sete primeiros meses de cada ano como base, controlando para variações sazonais. A queda de 12% representa uma diferença de aproximadamente 84 mil atendimentos a menos em relação ao período anterior, distribuídos de forma desigual entre as regiões do interior.
A variação mais acentuada ocorreu em municípios com menos de 10 mil habitantes, onde a redução chegou a 18% em alguns casos. Em municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes, a queda foi de 7%, o que sugere que o problema é mais agudo onde a estrutura de saúde é menor e as alternativas de atendimento são mais escassas.
Fatores apontados no relatório
A secretaria estadual identificou três fatores principais para a redução: rotatividade de profissionais nas equipes de saúde da família, períodos prolongados sem médico residente em algumas unidades durante o primeiro semestre, e a redução do horário de funcionamento em municípios que enfrentaram dificuldade orçamentária. O relatório não atribui a queda a uma causa única, mas aponta que a combinação dos três fatores afetou especialmente as regiões serrana e do meio-oeste.
- Queda de 12% nos atendimentos em 148 municípios do interior com até 50 mil habitantes
- Redução de até 18% em municípios com menos de 10 mil habitantes
- Três fatores identificados: rotatividade de profissionais, vacância médica e restrição de horários
- Diferença de 84 mil atendimentos a menos em comparação ao mesmo período de 2025
«Os números refletem uma pressão estrutural que não é nova, mas que o relatório torna visível de forma sistemática pela primeira vez.» — Coordenação de atenção primária da secretaria estadual de saúde
Medidas previstas para o segundo semestre
A secretaria informou que um plano de reforço será apresentado ao conselho estadual de saúde em setembro. As medidas em estudo incluem um programa de fixação de profissionais com complemento salarial para médicos que aceitem atuar em municípios com escassez histórica e a ampliação do número de vagas no programa de residência médica em medicina de família e comunidade ofertado por universidades estaduais.
Representantes dos municípios afetados solicitaram reunião com a secretaria estadual para apresentar dados locais e discutir mecanismos de repasse emergencial antes do início do período de maior demanda por atendimento no outono. A resposta formal ainda não havia sido divulgada até o fechamento desta edição.