Erosão no litoral norte de Florianópolis avança 40 metros em três anos
Levantamento da prefeitura municipal aponta recuo acelerado da linha de costa nas praias do norte da ilha, com implicações diretas para residências e infraestrutura à beira-mar.
O recuo da linha de costa nas praias do norte da ilha de Santa Catarina atingiu, em média, 40 metros nos últimos três anos, segundo levantamento concluído pela secretaria municipal de meio ambiente em agosto. O estudo combinou imagens de satélite com medições em campo realizadas trimestralmente desde 2023, e os resultados foram apresentados à câmara municipal na semana passada.
Como o levantamento foi conduzido
A metodologia adotou dois pontos de referência fixos em cada praia monitorada: uma estaca cravada acima da linha de maré alta e um marco permanente instalado na calçada ou no primeiro alinhamento de edificações. A equipe técnica mediu a distância entre esses pontos a cada três meses, cruzando os dados com as imagens de satélite de resolução métrica disponíveis no banco público da agência espacial brasileira. No total, sete praias foram monitoradas, com resultados que variaram entre 18 e 58 metros de recuo no período.
Os dados mais preocupantes vieram das praias expostas à incidência direta de ondulações do quadrante sul, que se intensificaram nos últimos três invernos. A combinação de ressacas mais frequentes com a retirada irregular de areia para construção civil em décadas anteriores deixou essas faixas sem reserva sedimentar suficiente para absorver as perdas sazonais.
Situação das edificações próximas à orla
Cerca de 40 edificações residenciais e comerciais estão dentro da faixa de risco identificada no levantamento. A secretaria notificou os proprietários para apresentar laudos de estabilidade estrutural em até 90 dias. Até o fechamento desta edição, seis imóveis já haviam recebido interdição preventiva por apresentar fundações expostas ou rachaduras decorrentes do recuo do solo.
- Sete praias monitoradas, com variação de 18 a 58 metros de recuo
- Quarenta edificações na faixa de risco, segundo o levantamento técnico
- Seis imóveis com interdição preventiva decretada até agosto
- Noventa dias para entrega de laudos de estabilidade pelos proprietários notificados
«O monitoramento sistemático era o primeiro passo; agora é preciso transformar os dados em ação regulatória concreta.» — Coordenação técnica de monitoramento costeiro da prefeitura
Próximas etapas do processo municipal
A secretaria informou que os dados do levantamento subsidiarão a revisão do plano diretor costeiro, com audiência pública prevista para outubro. A proposta em discussão inclui a criação de uma faixa não edificável de 50 metros acima da linha de preamar e a obrigatoriedade de estudos de impacto costeiro para qualquer novo empreendimento na orla norte.
O órgão ambiental estadual acompanhou o levantamento e deve emitir parecer técnico sobre as recomendações municipais até o final de setembro. A decisão sobre a ampliação do monitoramento para outras praias da ilha dependerá da aprovação orçamentária no ciclo de 2027.